📊 Planilha Financeira 2027

Início › Blog › Método bola de neve ou avalanche: qual escolher para sair das dívidas

Método bola de neve ou avalanche: qual escolher para sair das dívidas

Atualizado em 18 de outubro de 2026 · Leitura de 9 min

Quando você tem várias dívidas ao mesmo tempo, a pergunta que trava tudo é: por qual eu começo? Os dois métodos mais conhecidos para responder são a bola de neve e a avalanche. Neste guia você entende como cada um funciona, vê um exemplo com números e aprende a escolher, sem fórmulas complicadas.

Antes de escolher o método: a base que vale para os dois

Os dois métodos partem das mesmas três regras:

  1. Liste todas as dívidas: credor, saldo atual, juros ao mês, parcela mínima e vencimento. Se não tiver certeza do que deve em bancos e financeiras, emita gratuitamente o Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR) do Banco Central, pelo Registrato, com conta gov.br nível prata ou ouro (gov.br).
  2. Pague o mínimo de todas, todo mês. Atrasar uma dívida para adiantar outra gera multa, juros de mora e negativação.
  3. Defina um valor extra fixo que você consegue destinar às dívidas, além dos mínimos. É esse valor que você vai concentrar em uma dívida por vez.

A diferença entre os métodos está só em qual dívida recebe o dinheiro extra primeiro.

Método bola de neve: da menor para a maior

Na bola de neve, você ordena as dívidas pelo saldo, da menor para a maior, independentemente dos juros. Todo o dinheiro extra vai para a menor. Quando ela acaba, o valor que você pagava nela (mínimo + extra) "rola" para a próxima, e a bola cresce.

Vantagem: você elimina dívidas rapidamente no começo. Cada conta fechada é uma vitória concreta e um boleto a menos para lembrar.

Desvantagem: se a dívida grande for também a de juros mais altos, você paga mais juros no total.

Método avalanche: dos juros mais altos para os mais baixos

Na avalanche, você ordena as dívidas pela taxa de juros, da maior para a menor. Todo o extra vai para a mais cara. Quando ela acaba, o valor rola para a segunda mais cara, e assim por diante.

Vantagem: matematicamente, é a estratégia que costuma pagar menos juros e terminar mais cedo.

Desvantagem: se a dívida mais cara tiver um saldo alto, pode levar meses até você quitar a primeira, e a falta de progresso visível faz muita gente desistir.

Exemplo com números: as mesmas dívidas, dois caminhos

Vamos simular um caso hipotético. Uma pessoa tem R$ 600 por mês para pagar dívidas (somando mínimos e extra) e três dívidas:

DívidaSaldoJuros ao mêsParcela mínima
Carnê da lojaR$ 6004%R$ 60
Parcelamento do cartãoR$ 1.5009%R$ 120
Empréstimo pessoalR$ 3.0005%R$ 150

Simulando mês a mês (juros mensais sobre o saldo, pagamento dos mínimos e o restante concentrado em uma dívida), o resultado é:

Bola de neveAvalanche
OrdemCarnê → Cartão → EmpréstimoCartão → Carnê/Empréstimo
Primeira dívida quitadano 2º mêsno 5º mês
Livre de todas as dívidasem 13 mesesem 12 meses
Total de juros pagos≈ R$ 2.138≈ R$ 1.947

Simulação simplificada e ilustrativa: não considera multas, IOF, renegociações nem mudança de taxas. Os valores servem só para comparar os métodos entre si.

Repare no dilema: a avalanche economizou cerca de R$ 190 e um mês. Já a bola de neve entregou a primeira vitória três meses antes. Qual vale mais? Depende de você.

O que diz a pesquisa

Em 2012, os pesquisadores David Gal e Blakeley McShane, da Kellogg School of Management (Northwestern University), analisaram dados de cerca de 6.000 clientes de uma empresa de renegociação de dívidas nos EUA. O estudo, publicado no Journal of Marketing Research, encontrou que fechar contas de dívida estava associado a eliminar a dívida total, independentemente do valor das contas fechadas. Ou seja, as "pequenas vitórias" pareciam ajudar as pessoas a persistir (Kellogg; artigo).

Os próprios autores ressaltam que pagar primeiro os juros mais altos continua sendo o caminho economicamente ótimo, e sugerem que as pessoas conheçam os dois lados para decidir com informação. Em resumo: a avalanche ganha na matemática; a bola de neve pode ganhar no comportamento.

Como escolher: um teste rápido

Escolha a bola de neve se:

Escolha a avalanche se:

Existe ainda um meio-termo bastante usado: quite primeiro uma dívida bem pequena (para sentir o progresso) e depois siga a avalanche.

A exceção que vale para todos: rotativo e cheque especial

O crédito rotativo do cartão e o cheque especial estão entre as linhas de crédito mais caras para pessoa física. Desde janeiro de 2024, por causa da Lei 14.690/2023, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida: uma dívida de R$ 100 pode chegar, no máximo, a R$ 200 (Banco Central). Mesmo com esse teto, dobrar a dívida é muito caro. Se você está nessas modalidades, procure sair delas primeiro, seja priorizando-as, seja trocando por um crédito mais barato.

A mesma lei garante o direito à portabilidade do saldo devedor da fatura do cartão para outra instituição, sem custo cobrado pela instituição original (Lei 14.690/2023, art. 27). Vale pesquisar se outra instituição oferece condições melhores.

Como sair das dívidas ganhando pouco

Quando o dinheiro mal cobre o básico, o "valor extra" pode ser quase zero. Algumas alavancas que ajudam antes mesmo de escolher o método:

Como acompanhar o plano mês a mês

O plano só funciona se você enxergar o progresso. Mantenha uma tabela simples com cada dívida, o saldo atualizado todo mês, a ordem de prioridade e a previsão de quitação. Ver o saldo total cair é um dos maiores motivadores.

A aba Dívidas da Planilha Financeira 2027 faz isso por você: você lista as dívidas, escolhe Bola de Neve ou Avalanche em uma lista suspensa, informa o valor extra mensal, e a planilha mostra a ordem de pagamento e estima em quantos meses cada dívida termina. Funciona no Excel e no Google Sheets.

Enquanto paga as dívidas, não esqueça de manter uma pequena reserva para imprevistos. Sem ela, o primeiro susto volta para o cartão. Veja quanto guardar de reserva de emergência. E se ainda não organizou o orçamento do mês, comece por como montar seu orçamento mensal.

Resumo